Discografia

Gildo de Freitas Dose Dupla - 2003

Capa

Músicas

Lado A - 01 - Oração de São Jorge

Intérprete: Gildo de Freitas

Meu glorioso são Jorge o seu cavalo pegou
Naquele mesmo momento pos o areio e montou
Sua viagem seguiu, na porta do céu chegou;
E Jesus lhe atendeu
Quando São Jorge bateu, porém antes perguntou:

Quem bate na minha porta com tanto desembaraço;
Eu sou o coração de bronze, o valente peito de aço.
Sou Jorge, braço forte, sou o guarda do espaço
Sou valente peleador,

E venho pedir ao senhor para guiar os meus passos.
Preciso da sua ajuda em tão triste hora eu lhe digo
Com a sua proteção enfrentarei os perigos
E disse Jesus: eu dou, és meu anjo, és meu amigo
Eu vou te dar sete cruzes,
Com os poder de Jesus pra prender seus inimigos.

Eu vou te dar sete cruzes para tua salvação
Levara uma na testa que esta é tua direção
Três nas costas, três nas frontes, com a minha proteção
E farás como te digo
Que todos teus inimigos nenhuma força terão

Se eles tiverem olhos nunca te enxergarão
Com armas branca e porrete com revolver e munição,
Qualquer espécie de armas nunca te atingirão
Tens a mim que te governa
E eles com braços e pernas nunca te alcançarão.

E foi assim que São Jorge recebeu lá do além
Este tão grande poder que de hoje e dia ele tem
São Jorge tu me defenda e os meus amigos também
Me benzo com teu auxilio
Em nome do Pai e do Filho, do Espírito Santo, Amém!

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Lado A - 02 - Gaúcho Guapo

Intérprete: Gildo de Freitas

Houve uma festa de muita importância
Era uma festa de gineteada
Foi promoção de um dono de estância
Pra dar um prêmio para a gauchada
Tinha um picaço por nome Esperança
No lombo dele não parava nada
Eu não sou cria de raça bem mansa
Me resolvi de topar a parada

Eu cheguei lá no horário certo
Tava a fazenda toda enfeitada
Tava o picaço relinchando alerto
Metendo medo em toda a gauchada
Tava o patrão, uma filha perto
Já de vereda pedi a bolada
Eu sou gaúcho que não me aperto
E gosto mesmo de lida pesada

Já de vereda eu apertei os caco
Montei pra cima e baixei o laço
Fazendo cócegas só no sovaco
Cantarolando as esporas de aço
Dava corcóvio de arrancar cavaco
Que embodocava o lombo do picaço
Cada corcóvio que dava o velhaco
Eu dava nele dois ou três laçaço

Corcoveou mais que meia hora
E eu sorrindo em cima do lombo
Dando comida pra minha espora
E abrindo talho que saia um rombo
Corcoveiava muito a campo fora
Porém nunca sem me dar um tombo
Pra mim cair só de caipora
Porque a desgraça é coisa que eu não sondo

Esse cavalo parou de repente
Dando sinal que não podia mais
A trotezito voltei novamente
Fazendo tudo que um ginete faz
Já encontrei o povo contente
Batendo palma me dando cartaz
E disse a moça pra qualquer vivente
Para ficar de seu capataz

Eu aceitei a capatazia
Depois mais tarde me casei com a prenda
Foi o prêmio desta montaria
Ganhei a china e aumentei a renda
E vocês comprem nessa livraria
Que existe um livro que conta esta lenda
Dei lhe porrete nele a revelia
Fiquei de dono daquela fazenda

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Lado A - 03 - Resposta da Milonga

Intérprete: Gildo de Freitas

Ô Teixeirinha um dia destes
Eu andei lá na fronteira
Lá aonde tu perdestes
Pra gaúcha milongueira

Um lugar muito bonito
A china bonita e bela
Só achei muito esquisito
Tu ter perdido pra ela

E eu cantei lá, um pouquinho
E ela também cantou
Depois nós os dois sozinhos
Está história me contou

Quando o Teixeirinha veio
Cantei com ele e venci
Contigo dei um floreio
Me entreguei, me convenci

Eu ali tou resolvida
Saí no mundo sem fim
Te entregar a minha vida
E faça o que quiser de mim

E foi assim a história
E sem ofender a ninguém
Venci, sobrando de glória
E trouxe a China também

Ô Teixeira assim se queres veres
Aquela que te venceu
Tu podes apareceres
Mas quem manda nela é eu

Viva e cheia de alegria
E contente quase louca
Se eu deixo, ela passa o dia
Beijando na minha boca

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Lado A - 04 - Gaúcho Fracassado

Intérprete: Gildo de Freitas

Vou contar a minha vida
É triste, mas é verdade
Porque que eu fui obrigado
A conviver na cidade
Eu fui hospitalizado
Com corpo todo entrevado
E sendo sacrificado
Com a triste dor da saudade

As quedas de ginetiada
Trouxe amargura pra mim
Fiquei com as pernas entrevada
Por ter deslocado um rim
Perdi todas as esperanças
Não prestei mais pra estância
E vivo nessa distância
Tristonho e sofrendo assim

Com a minha lidas de campo
Eu muito tenho sonhado
Ainda está noite sonhei
Que eu lidava com gado
Que muitos bois eu lacei
Naquela hora eu gostei
Porém depois me acordei
Na mesma cama deitado

A saudade me dói mais
Que minhas pernas encolhidas
Se eu não ficar bem perfeito
Para fazer minhas lidas
Jesus com os poderes seus
Veja os sofrimentos meus
Peço pelo amor de Deus
Que encurte minha vida

Porque eu prefiro morrer
Que ficar sem fazer nada
Porém eu deixo um pedido
Pra minha companheirada
Perdoai meus erros
E fazer o meu enterro
Ali na costa do cerro
Aonde dorme a boiada

Outro pedido ainda deixo
Pra meus fieis companheiros
Escrevam na minha campa
Aqui descansa um campeiro
Pode cantar bater palma
Que a minha matéria acalma
E hão sentir minha alma
Sempre ajudando os tropeiros

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Lado A - 05 - A Mula do Falecido Palmeira

Intérprete: Gildo de Freitas

Pra mulão de qualidade só sendo a minha tostada
A mula me conhecia eu até pela pisada
Tinha uma franja bem grande de cola e crina aparada
Ganhou uma vez numa festa uma figa pra cabeçada

Eu cheguei a injeitá três mula pela tostada
Tinha uma mula picaça das quatro pata calçadas
Tinha uma mula rosilha e outra vermelha dourada
E eu arrespondi pro dono não me agradei da mulada

Quem vê eu contar a história pouco crê e dá risada
Mais a mula merecia por ser bem assinalada
Tinha uma estrela na testa pela natureza dada
Parecia a Estrela Dalva sinalando a madrugada

Hoje se eu deito eu não durmo é me lembrando da
coitada
Vou contar pelo que foi minha mula foi roubada
Agarrei a minha pistola com bala bem azeitada
Abandonei o meu rancho saí campeando a tostada

Eu me encontrei com o ladrão a cada de tempo na
estrada
Vinha vindo numa mula magrinha e mal encilhada
A mula me conheceu ali ficou empacada
Pela estrela eu conheci que era a minha tostada

O ladrão de prevenido fez a primeira pegada
Puchemo as pistola junto e as balas foram trocada
Uma bala eu peguei nele outra bala peguei na tostada
E a pobre da minha mula teve um fim triste na estrada

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Lado A - 06 - Morena De Santana

Intérprete: Gildo de Freitas

Eu conheci uma morena
Em Santana do Livramento
Filha de família boa
Bonita cento por cento
Carinhosa no falar
Me falou em casamento
Peguei a pensar nas leis
Que pra casar duas veis
Não nos dão consentimento

A lei do nosso Brasil
Ser assim é uma pena
Casar uma vez é lei
Na segunda ela condena
Não devia ser assim
Na nossa vida terrena
Se ela fosse de outro jeito
Eu também tinha o direito
De casar com esta morena

Morena escuta este verso
Veja o quanto eu já sofri
Nóis somos dois sofredor
Tu de lá eu daqui
Tu sofre por minha causa
E eu por causa de ti
E para nóis ser feliz
Vamos pra um outro país
Foi isto que eu resolvi

Vamo lá pro Uruguai
Lá é tudo diferente
Não vai haver comentário
Distante dos teus parente
Dois corações que se amam
Não podem viver ausente
Ficamos dez anos lá
E depois mandamo um piá
Pra saber da nossa gente
Com os anos alguns morreram
E os vivos se esqueceram
E nós voltamos novamente

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Lado A - 07 - João De Barro

Intérprete: Gildo de Freitas

Lá no meu rancho eu alevanto cedo
E vou pra o terreiro tomar chimarrão
Dos passarinhos lá no arvoredo
Eu sempre escuto uma linda canção
Ainda esses dias eu pitava um cigarro
E apreciava uma construção
A obra fina de um João-de-Barro
Que construía num pé de cocão
Fez esta obra assim desta maneira
Trazendo barro do próprio biquinho
Depois de pronta trouxe a companheira
E os dois cantavam na porta ninho

O João-de-barro um dia saiu
Buscar comida para o filhotinho
E um menino malicioso viu
Foi negaciando o pobre bichinho
O coitadinho no fazer seu pouso
Naquele galho que tinha comida
Foi recebendo desamoroso
Um pelotaço e tombou sem vida
Tenho por vício de alevantar cedo
E ir pro terreiro pitar meu cigarro
Só oiço o som lá no arvoredo
Porém não oiço
Mais meu João-de-Barro

Só oiço ela, pobre barreirinha
Muito tristonha olhando da porta
Talvez rezando e pedindo a Deus
Para mandar seu barreiro de volta


Como é bonito amanhecer na mata
Ouvindo o canto desses bichinho
Oh, criançada não me seje ingrata
Não se maltrata os pobres passarinho
Vocês devem em quando isto pensá-lo
Devem tratá-lo com mais carinho
Se vocês fazem como o Gildo diz
Serão mais feliz e meus amiguinhos

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Lado A - 08 - Assunto Delicado

Intérprete: Gildo de Freitas

Tem gente que acha que a vida de artista
Ela ofereça só coisinha boa
É uma vida cheia de floreio
Tem voltas alegres e outras que enjoa
Por eu levar uma vida assim
Uma chinoca se agradou de mim
Estou separado de minha patroa

Fiz estes versos não por covardia
Porque eu resisto o que der e vier
A passo lento eu acompanho a volta
Na estrada larga que o mundo tiver
É melindroso este nosso assunto
Nós já vivemos tantos anos juntos
E eu faço falta pra aquela mulher

Eu reconheço que meu erro é grave
Mas um artista viajar sozinho
Você em casa é que fica com a chave
Me faz voltar no mesmo caminho
É melindroso este nosso assunto
Nós já vivemos tantos anos juntos
E nóis precisava de morrer juntinho

Esta letrinha serve de conselho
Você precisa ouvir e compreender
Para a família eu sempre dei fartura
Pra os filhos nunca faltou o que comer
É melindroso este nosso assunto
Nós já vivemos tantos anos juntos
E eu não me animo a te ver sofrer

Eu só não quero é que faça loucura
Meu bem tampouco desejo o teu mal
Para evitar teus atos de bravura
Foi que eu quebrei aquele punhal


É melindroso este nosso assunto
Nós já vivemos tantos anos juntos
E mais tarde um dia pode ser igual

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Lado A - 09 - Prova de Repentista

Intérprete: Gildo de Freitas

Meus amigos hoje temos o grande prazer de apresentar
um dos maiores repentistas do Brasil, Gildo de Freitas
que se encontra neste palco e vocês estão à vontade
para escolher um tema para o Gildo de Freitas
improvisar um verso. Querem pedir querem têm alguma
uma idéia querem pedir?

-Faz versos pra vovozinha

-Péra ai meu amigo o senhor parece que está querendo
divertir a custa de Gildo de Freitas e como eu já
disse no início, Gildo de Freitas é o maior repentista
do Brasil.

-Perdão meu amigo, eu já bem sei que o senhor. tá
querendo me defender minha causa, mas é de justo o
mocinho têm razão, pois é de fato você disse para
escolher o assunto e o menino se agradou desse assunto
e isto também é um assunto pra quem faz versos.

-Você está de acordo Gildo de Freitas?

- Mas como que não, gaiteiro velho puxa esta gaita índio velho

-Muito Bem


Mocinho preste atenção
E tu falasse em vovozinha
Querendo me fazer pouco
Porém eu não perdo a linha
Se ela é morta Deus que dê
Bom lugar para esta velhinha
Se ela é viva e me escutar
Dê valor pra idéia minha

Menino eu tenho certeza
Que tu já te arrependeu
O ventre que te gerou
Daquela velha nasceu
Para criar sua mãe
E sabe lá quanto sofreu
Foi por intermédio dela
Que o senhor apareceu

Menino tu me perdoa
Mais não posso ficar quieto
Garanto que a tua vó
Rezou muito pelo neto
Para que tu te criasse
Um homem honesto e correto
E o senhor não sabe dar
Pra ela o valor completo

Você me fez pouco caso
Porém a mim não me afeta
Porque o perdão tem lugar
Pra pessoa analfabeta
Já atendi seu pedido
Escuta calmo e te aquieta
E nunca mais faço pouco
De a memória de um poeta

Aí oh platéia me perdoe
De tudo que eu disse agora
E o senhor caro mocinho
Meu verso não ingnora
O relógio tá dizendo
Gildo Freita vai te embora
Boa noite que eu vou com Deus
E fiquem com Nossa Senhora

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Lado B - 01 - Faça Sorrir A Criança

Intérprete: Gildo de Freitas e Leonir

Não há coisa mais bonita
Que a gente ser de confiança...
Levando a nossa visita...
Ao asilo da criança...
Como é que o senhor...
Pode entrar no paraíso...
Se não leva ao sofredor...
Aquilo que era preciso...

Vá lá meu amigo vá...
Estou pedindo daqui...
As crianças que estão lá
Precisam muito de ti...

Faça uma caridade
Pra ver como a coisa muda...
A Legião Boa Vontade
Precisa da sua ajuda...
Dê um pouco do senhor
Porque há necessidade...
Vá ajudar com amor...
A Legião Boa Vontade...

Vá lá meu amigo vá...
Estou pedindo daqui...
As crianças que estão lá
Precisam muito de ti...

E o senhor por ser um sábio...
Cumpra seu dever sagrado...
Ponha um sorriso nos lábios
Do menino abandonado

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Lado B - 02 - Histórias Dos Passarinhos

Intérprete: Gildo de Freitas e Palmeira

Eu destinei um passeio
Domingo muito cedinho
Peguei o meu violão
E fui pro mato sozinho
Descobri uma figueira
Com os galhos cheios de ninhos
E passei a manhã inteira
Em baixo dessa figueira apreciando os passarinhos

Como eu tava achando lindo
O viver dos passarinhos
Se via perfeitamente
Vir com a fruta no biquinho
Se via quando eles davam no bico do filhotinho
E eu ali estava entertido
Com o viver tão divertido da vida desses bichinhos

Depois veio o negro velho e também trazia um negrinho
E este tinha uma gaiola e dentro dela um bichinho
Perguntei que bicho é este
Diz ele esse é um canarinho
Com este bicho que está aqui
Nas florestas por aí eu caço qualquer passarinho
Cantava que redobrava
Aquele pobre bichinho
Parece até que dizia: É triste eu viver sozinho...
Só porque eu fui procurar comida pros filhotinhos...
E fui tirar desse alçapão...
Hoje eu estou nessa prisão e nunca mais fui no meu ninho

Aí eu fui recordando o que já me aconteceu
A muitos anos atrás que a polícia me prendeu
O juíz me condeno e depois de mim se esqueceu
E eu pelo rádio escutava quando os colegas cantava e aquilo me comoveu
Então eu fui perguntando quanto quer pelo bichinho
Respondeu ele eu não vendo
Eu cacei pra o meu filhinho
Porém saiu uma voz da boca do gurizinho
E a gaiola custo 10 quem me der 20 mil réis pode levar o passarinho

Comprei com gaiola e tudo para evitar discusão
E fui abrindo a portinha
E abrindo meu coração
E o bichinho foi saindo
E eu peguei meu violão
E num versinho eu fui dizendo
O que tu estava sofrendo eu já sofri na prisão
Quem vai caçar de gaiola
Pra ver os bichos na grade
Deveria ser punidos pelas mesma autoridade
Porque o coração dos bichos
Também conserva amizade
O lei tu faça o que puder
Mas os bichos também quer ter a mesma liberdade

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Lado B - 03 - Me Enganei Com Você

Intérprete: Gildo de Freitas

Eu só queria que você um dia
Se recorda-se o que tratou comigo
Que ia ser de inteira confiança
Nessa esperança me casei contigo
Maldito o dia foi o nosso encontro
Foste o principio do meu sofrimento
As tuas juras me deixaram tonto
Sem desconfiança do teu fingimento

E o pedido que por noís foi feito
Naquele dia aos pé do altar
Hoje tu mostra o teu defeito
Por desmanchares o nosso lindo lar
Meu coração está sofrendo
Porque conserva sinceridade
E o culpado é o teu coração
Por ter usado só a falsidade

Teu coração deve estar sorrindo
Por se encontrar distante do meu
Meu coração sempre aborrecido
Por se encontrar distante do teu
Bate direito o meu coração
Você não deve errar a batida
Nem se entregue pra esta paixão
Que recebeste da mulher fingida

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Lado B - 04 - Filho Da Natureza

Intérprete: Gildo de Freitas

Um 19 de junho anunciou meu nascimento, houve sol
quente houve vento, saudando minha existência, mais um
filho da querência que nasceu chorando forte, o vento
me trouxe a sorte, e o sol a inteligência

Para mim meu nascimento foi coisa pura bem linda,
para confirmar ainda meu nascimento sadio, sendo mês
de tempo frio fez verão frio e choveu, tudo isso
aconteceu num gesto de desafio.

E assim temperou meu peito que não estranhasse nada,
vida leviana e pesada, do conforto ao relento, do bom
para o sofrimento notou pouca diferença, e tive por
recompensa, vergonha fibra e talento.

E todos vão compreender, como é que fiquei
sabendo, o que estava acontecendo naquele abençoado
dia, abençoado foi meu guia, por dar-me o
consentimento de sonhar com meu nascimento e compor
esta melodia


Por isso sou índio guapo não tenho medo da morte, me
sinto um gaúcho forte para enfrentar a vida, pra certas
línguas compridas sou que nem cão preparado, que sempre
agarra o viado, antes que forme a corrida.

E assim abracei a vida de poeta matutino, sou guapo
desde menino, contrário nenhum me vence, no pavilhão
rio-grandense, litoral fronteira e serra, ninguém aqui
nesta terra me toma o que me pertence.

Não toma mesmo

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Lado B - 05 - Dois Poderes

Intérprete: Gildo de Freitas e Carlos M. Pereira

Dizem que o Diabo em princípio era um anjo de valor
Só porém tinha um instinto de inveja e malfeitor
Queria fazer as coisas melhor que o nosso Senhor
Tornou-se um pretensioso de dizer pra Deus um dia
Que tudo que Deus fizesse o Diabo também fazia
E Deus deu rédeas pra ele só pra ver onde ele ia

E por ali começou a grande contrariedade
Todas as obras de Deus feita com dignidade
Porém as obras do Diabo todas feitas com maldade
E Deus só fazia as coisa enfeitando a natureza
O Diabo fez a feiura e o Deus fez a beleza
Quando fez a alegria, o Diabo fez a tristeza

O Diabo fez a maldade e o Deus fez o carinho
O Diabo fez o atalho e o Deus fez o caminho
Deus fez a flor pra enfeite, o Diabo fez o espinho
Porém as obras de Deus tinha perfeição de sobra
Porém o Diabo não tinha perfeição em suas obra
Quando Deus fez uma fita, o Diabo fez uma cobra

O Diabo tentou fazer a cobra com pé e mão
E Deus botando o veneno de acordo com a maldição
Não deixou perna, nem braço, anda de arrasto no chão
Quando Deus criou a paz, o Diabo criou a briga
O Diabo fez a inveja, e Deus criou uma figa
O Deus inventou a planta e o Diabo fez a formiga

Já falei em tantas coisas, com esta tudo eu acabo
Armamento e valentia fumo, cachaça e homem brabo
Tudo que traz prejuízo obras primas do Diabo
Esta guerra desses dois tem gente comentando
Que o contrato dois mil anos pra viverem se guerreando
Vamos ver no fim dos dois quem que é fica mandando

Se souberem é um favor contarem pro Gildo Freitas
Por qual seria dos dois que as mulheres foram feitas
Eu sem saber já garanto que é a obra mais perfeita

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Lado B - 06 - Alerta Geral

Intérprete: Gildo de Freitas

Lá pras bandas de Taquara e Santa Cristina do Pinhal
Deu-se uma história tristonha sobre a vida de um casal
A mulher fugiu de casa com seu Fulano de Tal
E trocou pela falsidade o seu viver colonial
Seu filhinho com dez anos na idade colegial
E ficou coitadinho sem ter da mãe um carinho
E seu pai sofrendo igual e o menino foi crescendo
Aborrecido, sofrendo com a dor daquele punhal
E o seu pai do mesmo jeito, sentia dentro do peito
Pouca força de moral
O resto vai ser cantado num simples verso rimado
Vejam que triste este final


E o menino sempre sempre perguntava
Por sua mãe para o seu querido pai
A minha mãe foi embora pra cidade
E o senhor buscá-la quando vai?
O pobre pai para acalmar o seu filho
Muito tristonho era assim que respondia:
Os anos passam e você vai ficar moço
Vai a cidade ver a sua mãe um dia

Com esta resposta o menino foi crescendo
Seu coração sempre muito apaixonado
Porque a saudade que sofria pela mãe
É quem mantinha seu viver impressionado
E foi a ponto que este infeliz coitadinho
Sem um carinho vivendo assim recalcado
Pegou uma corda e amarrou no pescoçinho
E quando acharam tinha morrido enforcado

Parece até que aquela mesma corda
Tão assassina que não teve piedade
Fez uma armada prendendo a própria mãe
Trouxe de volta pra mesma localidade
Chegando em casa para rever o seu filho
Arrependida quase louca de saudade
Ao receber aquela cruel notícia
De revorciada perdeu a mentalidade

Esta letrinha que eu gravei com sentimento
Tão esporeada não foi pra ganhar dinheiro
Eu peço a Deus que esta minha inspiração
Penetre mesmo por este mundão inteiro
Que todas as mães que existirem neste mundo
Principalmente neste meu solo brasileiro
Não abandonem seus lares abençoados
Deixando os filhos em tamanho desespero

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Lado B - 07 - O Cachorro E O Tatu

Intérprete: Gildo de Freitas

É claro que caçador não mente
Eu também sou caçador
A caçada é meu esporte
Eu não faço profissão
Tenho armas no meu rancho
Cartucheira e munição
Eu, a arma e meu cahorro
Em qualquer costa de morro
é certa a caça na mão.
O meu cachorro cavoca
E arrancar tatu da toca
ele tem por obrigação


Está velho não tem mais dentes
E ainda vai na caçada
Esses dias até pensei
Que a mata fosse assombrada
Porque passou um tatu
E o meu cachorro Bangu
Saiu logo nas pegadas
E o bicho mesmo provoca
Entraram os dois numa toca
E eu não encherguei mais nada

Eu já estava nervoso
Na mata de madrugada
Por não ver mais meu cachorro
Só ouvia uma risadas
Eu cheguei a conclusão
Que era debaixo do chão
Todas aquelas gargalhadas
Olhei pra toca achei lindo
Notei o tatu sorrindo
E o meu cão dando bocada/i>

Quando o cachorro avançava
O bicho tatu sorria
O meu cachorro sem dente
Pegava mas não mordia
E com aquele pega e larga
Eu também me divertia
Era a tal de briga mansa
Pois nenhum embrabecia
E o tatu morto de rir
Da cócega que sentia

Só ninguém pode dizer
Que essa minha história mente
Todo os dois já bem velhinhos
Brigavam graciosamente
O cachorro encabulado
E o tatu sempre contente
Eu lhe digo francamente
Eu disso sou testemunha
O tatu não tinha unha
Nem meu cão tinha mais dente

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Lado B - 08 - Meu Conselho

Intérprete: Gildo de Freitas

Menina escute estes versos
Neste momento preciso
Da maneira que tu pensas
Terás grandes prejuízo
Tu és muito voluntária
E leviana de juízo
Pode as tristezas do mundo
Acabar com teu sorriso

Nóis os dois batemo um papo
Mais ou menos meia hora
E depois me despedi
De você e fui embora
E tu andas te gavando
Que o Gildo te namora
Passando um fio lá pra casa
Xingando a minha senhora

Tà loquinha viu, taí o compromisso

Você não faça bobagem
Escuta o que o Gildo diz
Procura um menino novo
Para te fazer feliz
Para minha mulher no mundo
Esta que eu tanto quis
Tu és muito pouca cousa
Pra destruir a matriz

E aí não dá é querer derrubar uma muralha a sôco

Eu confesso que já tive
Certas camangas por fora
Quando era um homem mais novo
Não com a velhice de agora
E a minha companheira
Me estima e me adora
Não é por causa de ti
Que eu vou mandar ela embora

Perde essa esperança, não te enche mulher velha

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Lado B - 09 - Resposta Da Adaga De Ésse

Intérprete: Gildo de Freitas

Abre o olho ai nanico que ai vou eu de novo!

Com aquela lata enferrujada
Se enche de pedregulho
E solta ladeira abaixo
Ela também faz barulho
Só comigo tu não faz
Que eu não vou no teu embrulho
Eu não arroto grandezas
Sou o cantor da pobreza
E tenho raiva de orgulho

Tu és gaúcho fingido
Eu já te conheço bem
Tu diz que faz mais não faz
Tu diz que tem mais não têm
Tu diz que brigas com dez
Tu não brigas com ninguém
Eu te tenho por pouca fé
Tu diz que é guapo mas não é
Tu diz que vem mais não vem

Héhé e é melhor ficar por ai
tu anda meio enferrujado rapaz!


Colega se eu te comprar
Pelo teu preço real
E vender pelo que pensa
Tua fraqueza mental
Que vales cem vezes mais
Eu arrumo capital
Depois se termina o choro
Vendendo a preço de ouro
E comprando por metade

Aí vem a parte lucrativa, mas não é nada nanico!

Com isso eu não perco tempo
Eu quero é judiar de ti
Quando estiveres num circo
Não vai faltar um guri
Que grite assim deste jeito
Nanico escapa daqui
Enquanto tu tens saúde
Que aqui não tem quem te ajude
E o Gildo vem vindo ai

Héhé, eu vou chegando!

É assim que eu faço gato
Atravessar o banhado
Perder o medo da água
E cruzar o rio a nado
E se ele tiver sorte
De não morrer afogado
Eu vou dar uma de lontra
Quando ele sair de encontro
Esperando do outro lado

Volta pra trás com essa adaga nanico
tu vai vender isso!

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Lado B - 10 - Duas Mães Perdidas

Intérprete: Gildo de Freitas

Oh Leci, tua filha já adquiriu família
E procedeu do mesmo jeito
Aquela letra que eu fiz, me arrependi
A filha puxou por ti
Saiu com o mesmo defeito
A tua filha é teu espelho não acredita em conselhos
Seguiu teu mesmo trilho vive em Pelotas,
Juntada com um marginal
Sofrendo e passando mal, já deu pra outro seu filho

Duas mães do mesmo sangue, sofrendo que até dá dó
Tem ainda a triste vó, que esta tristeza lhe afeta
Chorou demais pela fuga de uma nora
Até hoje a velha chora pelo fracasso da neta
Pobre menina vivendo com seu amante
Talvez sofrendo bastante enfrentando o perigo
A qualquer tempo neste mundo de maldade
Pode por casualidade ainda encontrar-se contigo

Se ela um dia for bater na tua porta
Aceita, não te importa, porque é o espelho da vida
Embora venha com família ou sem família
Reconheça tua filha, que tornou-se outra perdida

E tomara Deus que tu estejas vivendo
Escutando, recebendo esta notícia que mando-lhe
Vocês as duas passarão horas chorando
Ponham meu disco rodando, escutando meu conselho
E roguem a Deus para serem perdoadas
Duas mães que foram erradas, se olhando no mesmo espelho
É, dá uma vontade de chorar, até nem vou cantar mais
Fecha essa gaita gaiteiro

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Lado B - 11 - Saudação Aos Afilhados

Intérprete: Gildo de Freitas

Vai versinho acompanhando as voltas que o mundo tem
Obedeça meu governo não sejas mau pra ninguém
Felicite os afilhados e afilhadas também
Meus compadres e comadres por este mundão além

A comadre e o compadre retratista João Severo
Levar a minha mensagem pra vocês que eu tanto quero
E o meu afilhado Helio que eu tanto adoro e venero
Teu nome é muito importante serás um grande estudante
Que um grande futuro o espera no ano sessenta e seis

Quando você nasceu foi dia da eclipse que o sol escureceu
Naquele exato momento tua mãe adoeceu
Abriu-se um ventre sagrado e a luz da vida perdeu
Condenaram cientistas, escolheste um artista para ser padrinho teu

Pois é, seu pai me escolheu soltaram até um foguete localidade
Eles trouxeram uma equipe de grande capacidade
Para pesquisarem os bicho ou mesmo a humanidade
Pra ver como se portava naquela oportunidade

E você foi pesquisado ali na maternidade
Na Grécia o Helio é o Sol veja que felicidade
Receberes este nome tu serás um grande homem
De forte brasilidade, que assim seja

O meu afilhado Helio tu já foste felicitado
Deixa eu ir até no Paraná visitar outro afilhado
Chama-se Gildo Gonçalves, da capital do Estado
Puseram o nome de Gildo e assim foi registrado
Pra batizar o menino, pelo pai fui convidado
Deus permitiu que eu fizesse esse honroso batizado
Muito obrigado

Meus afilhados eu carrego dentro do meu coração
Por isso para os outros eu peço o merecido perdão
Por eu não ter colocado vocês nesta gravação
Mas como o tempo dá tempo, fica pra outra ocasião
Recebam a minha bênção com alma e com o coração

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