Discografia

Figueira Amiga - 1982
Gravadora: Chantecler - LP 2.11.405.498

Capa

Músicas

Lado A - 01 - Todos Devemos Rezar

Intérprete: Gildo de Freitas e Leonir

Parece que o nosso mundo tem pouca vida por frente
Baseado na historia sagrada de antigamente
Que quando o mundo mostrasse certas coisas diferentes
Era hora de rezar para o pai onipotente
Pra evitar que o dilúvio mais uma vez se apresente

O mundo esta diferente uma cousa por demais
Crianças assaltam homens, separações de casais
Já nem os filhos conseguem entender-se com seus pais
Isso tudo são avisos que bíblia sagrada traz
Repetir-se um fim de mundo tudo pode ser capaz

Até a mãe natureza já sente enfraquecimento
Por não mais obedecerem as leis dos dez mandamentos
Por isso uma vez as águas fizeram um movimento
Só escapou uma família pelo bom comportamento
E um casal de cada bicho com o mesmo merecimento

Terminou-se o mundo assim, o dilúvio ameaçava
Pelo principio das águas ainda o povo gostava
Depois quando compreenderam que o mundo se acabava
Quem nunca tinha rezado dali por diante rezava
Pedindo que Deus perdoasse porém não adiantava

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Lado A - 02 - Que Negrinha Boa

Intérprete: Gildo de Freitas e Ignácio da Silva

O povo já descobriu
Que eu gosto da Gabriela
Pegaram nós se beijando
Numa festa de capela
Ela é louquinha por mim
E eu louquinho por ela
Por isso me resolvi
Juntar os trapos com ela
Tenho medo é de um artista
Que anda de olho nela

De noite quando eu me deito
Ao lado da minha bela
Eu fecho a porta com a chave
Ponho a tranca e a tramela
O gavião é perigoso
Mete o bico na janela
Tenho medo é de um artista
Que anda de olho nela

Ela deita no meu braço
eu durmo nos braços dela
Ela agarradinha em mim
E eu agarradinho nela
Bem magrinha e bem pretinha
Negra boa de costela
Tenho medo é de um artista
Que anda de olho nela

Não tem prata nem brilhante
Que pague a minha donzela
Francamente eu até tenho
Bastante ciúmes dela
Eu agora vou pra casa
Pra cuidar da Gabriela
Por que já tem outro artista
Que anda de olho nela

Eu cuido da minha negra
Dou sopinha na tigela
Dou café, almoço e janta
Mingauzinho com canela
Tiro o pó todo da casa
Lavo os pratos e a panela
Não precisa trabalhar
Eu faço tudo por ela
Vou bater no Teixeirinha
Por andar de olho nela

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Lado A - 03 - Promessa Pra Seca

Intérprete: Gildo de Freitas

Amigo Jaime Feijó essa letra é
dedicada a ti, pedido pra Nossa Senhora


É uma barbaridade a seca que está fazendo
O campo todo torrado o gado todo morrendo
E os açudes secando e os donos se enlouquecendo
É triste a gente enxergar esta seca tão torrante
Por isso faço um pedido a Santa dos Navegantes
Para salvar nosso gado nos mande chuva bastante

É isto Jaime

Minha santa poderosa és a minha devoção
Só mesmo a Senhora pode salvar a situação
Defender o nosso gado e a nossa plantação
Querida Nossa Senhora atenda os pedidos meus
Nós aqui reconhecemos os grandes poderes seus
És tu que governa as águas que foi criada por Deus

A seca traz prejuízo que é uma barbaridade
Vem torrando todo o campo e matando sem piedade
Por isso então te rogamos um pouco de caridade
Poderosa nos defenda da grande calamidade


Em verso quase me obrigo em nome dos fazendeiros
Que tem criação de gado, galinha, porcos, carneiros
Não faltarem em tua festa dia dois de fevereiro
Este versos são contrato que afirma uma obrigação
De tu poderosa santa salvar essa situação
Porque assim aumenta mais a nossa fé e devoção

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Lado A - 04 - Brincando Com As Mulheres

Intérprete: Gildo de Freitas

Você vai pra lá, me diga pra ela
Que eu estou morando aqui na cidade
E daqui distante eu já descobri
Que ela usou-me de uma falsidade.
Uma cigana teve me explicando
Que para o homem ter felicidade
Com uma mulher que não for distinta
Se dá-lhe nela uma surra de cinta
Por que ela ajeita e agarra amizade

Assim com um carinho desses quem é que não se entrega?

Você vai pra lá, me diga pra ela
Que qualquer a um dia eu vou no meu ranchinho
Se tiver homem sai pela janela
E eu deito de novo no meu velho ninho
Eu só farei o que for necessário
Sem comentário para o meu vizinho
Vou dar-lhe nela dois ou três cintaços
Depois faze-la deitar nos meus braços
E pagar a surra com os próprios carinhos.

Esse remédio merece cuidado
Por isso eu vou aplicar em pessoa
Pra se bater na mulher que se gosta
Há que ter cuidado se não atordoa
Eu gosto muito daquela mulher
Vou ver se salvo aquela pessoa
Pode que a cinta e que Deus ajude
Que ela tome uma nova atitude
Depois de perdida ainda se torne boa.

Há, Há, ela vai pegar o caminho

Só não me peçam copia da letra
Por que eu não dou a cópia pra ninguém
É um remédio que estou aplicando
Pra ver se salvo quem eu quero bem
Mais tarde sim, se der resultado
Será comentado pelo mundo além
Aí mais tarde se você tiver
Qualquer problema com sua mulher
Peça a receita que eu lhe dou também

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Lado A - 05 - Nós Somos Todos Iguais

Intérprete: Gildo de Freitas

Delicado eu sempre fui
Pra quem tinha boa fé
Tenho ganhado questões
Só Deus sabe como é
A verdade é minha capa
Também nunca dei um tapa
Que o índio ficasse em pé

Foi cousas que se passaram pela minha mocidade
Quem tem meu temperamento vive por casualidade
Já nasci pra ser assim e troxe dentro de mim o gesto da autoridade


E pra ser autoridade
é preciso ter respeito
E também não se assustar
Do rompante do sujeito
Eu não carrego bagagem
E o homem que tem coragem
A morrer é mais atreito

No tempo do lá vai facão
Sempre fui um gaúcho bueno
Quantos brancos não dançavam
Nesses salões de moreno
De vereda já brigava na entrada
Para não perder o treino
Eu gostava desses bailes
Porque a entrada era barata
Meu sangue é de português
Sempre gostei de mulata
E elas me admiravam sorriam
Me arrodiavam por eu ser solto das patas


E eu terminava dançando
E a chinas achando graça
Eu acho que preto e branco
São feitos da mesma massa
Hoje é mansa a mocidade
Existe facilidade
Pra fazer cruza de raça

Hoje o preto e o moço branco
Tem o viver mais perfeito
Estudam na mesma aula
Não existe o preconceito
Hoje sem haver vexame
Passam pelo mesmo exame
Se formam do mesmo jeito

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Lado A - 06 - Já Dormi Em Cemitério

Intérprete: Gildo de Freitas

Esta mania de pessoas antigas
De dizer que há lugares metidos a assombrados
Eu por exemplo sou gaúcho e não creio
Até em cemitérios eu já tenho posado
Ainda esses dias se deu um caso sério
Disparei da policia e fui dormir num cemitério
E eu por lá passei a noite descansado
Porque não vi polícia e nem o delegado
Eu tenho medo é só de gente viva
Pela má língua que as pessoas têm
De gente morta eu não tenho medo
Porque os coitadinhos não fazem mal a ninguém

Claro que não faz!
Não te assusta de caveira João!
Têm muita gente que quer ver tua caveira!


Está mania de pessoas antigas
De dizer que há lugares metidos a assombrados
Eu por exemplo sou um gaúcho e não creio
Até em cemitérios eu já tenho posado
Ainda estes dias se deu um caso sério
Disparei da policia e fui dormir num cemitério
E eu por lá passei a noite descansado
Porque não vi polícia e nem o delegado
Eu tenho medo só de gente viva
Pela mania que as pessoas têm
De gente morta eu não tenho medo
Porque os coitadinhos não fazem mal a ninguém

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Lado B - 01 - Tempo da Escravidão

Intérprete: Gildo de Freitas e Dimas Costa

No Tempo da escravidão venho ao mundo um negrinho
Por um casal casal de pretinhos por intermédio de um amor
Nasceu esse sofredor nesse mundo de maldade
Com oito anos de idade entregaram a um senhor
Passou a ser mandalete na estância do senhor branco
E de seus pais que eram escravos não recebera carinho
Só ganhava o coitadinho judiaria do senhor

As palavras mais bonitas que recebia o coitado
Era infeliz desgraçado, pau de fumo, mal feitor
E um couro de maneador lhe batia sobre o peito
Na cara de qualquer jeito para que sentisse a dor
E o negrinho sofrendo não chorava e nem pedia
E nem tão pouco sabia por qual seria a razão
Dessa grande judiação que o seu senhor lhe fazia

Benedito se chamava o mandalete da estância
Pra os brancos pouca importância por ser de cor diferente
E andava este inocente sempre de corpo marcado
De tanto o senhor malvado bater naquele vivente
Até que um dia o negrinho foi chamado pela morte
E o senhor surrava forte que já estava sofrendo
E o sangue foi correndo e o negrinho ensangüentado
Com os olhos arregalados e o patrão sempre batendo

O negro olhava para o céu com olhar escancarado
E o senhor desesperado foi dando uns estranhos gritos
Fecha os olhos Benedito, e os olhos não fechava
Duas estrelas brilhavam no alto do infinito
Este estranho momento que as estrelas brilharam
Os dois olhos se fecharam do negrinho sofredor
E nessa hora o senhor, do negro de pouca estima
Fitando os olhos para cima compreendeu ser pecador

-Naquela hora o senhor
foi agarrando o negrinho
com os olhos fechadinhos
ele trazia sobre o peito
e dizia deste jeito,
remorsiado e aflito:

-Abre os olhos Benedito!
-Abre os olhos Benedito!

E foi assim que o senhor perdeu a luz da razão
Vivia pelo galpão só chorando e dando grito
E a noite olhava as estrelas lá no céu sempre a brilhar
E achava que era o olhar do negrinho Benedito.

Terminou tudo em tristeza
E morreu num triste fim
Clamando e dizendo assim
-Fecha os olhos Benedito!
-Fecha os olhos Benedito!
-Fecha os olhos Benedito!
-Fecha os olhos Benedito!
-Fecha os olhos Benedito.........

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Lado B - 02 - Figueira Amiga

Intérprete: Gildo de Freitas

Esta figueira, meus amigos fica
na esquina do forte com a Assis Brasil


Figueira como é que pode
Estares modificada
E vejo assim tão cercada
De casas de moradia
Onde estão as ferrarias
Do Carlo e do Zéca Paiva
Francamente eu tenho raiva
De não ver mais quem eu via.

Figueira faz tanto tempo
Que eu estava retirado
Aqui deixei meu passado
E hoje venho a procura
Só não vejo as criatura
Que eu vi e sou testemunha
Pegando cavalo a unha
Para porem a ferradura.

Passavam tropas e tropas pelo passo da mangueira
E na estrada da pedreira pouco adiante do boeirinho
O matador assassino e as facas carneadeiras
Parece até brincadeira que o tempo modificou
Que fim será que levou teus velhos dono figueira
Eu tenho até que teus donos à anos já faleceram
E os herdantes venderam para outros seus direito
Ficaste assim desse geito cercada de vizinhança
Que fim levou as crianças e aquelas moças tão lindas
Recordo de tudo ainda e não me sai da lembrança.
Quem tu eras, quem tu és, oh figueira bonitona.
Zéca Paiva era o teu dono, a dona Arzira tua dona
Quantas vezes em tua sombra churrasquiei, toquei sanfona
E a evolução por vaidade transformou tudo em cidade,
passou a ser cidadona


Se eu pudesse eu te mudava
Pra um lugar de campo aberto
Para sentires de perto
As coisas de antigamente
Tu com toda essa beleza
I esse estranho ambiente
Não podes viver contente
Distante da natureza.

É isso mesmo figueira, tu és a recordação do meu velho passado
Vamô encerrar gaiteiro

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Lado B - 03 - Trança De China

Intérprete: Gildo de Freitas

Vou cantar pra vocês, meus amigos
Que estão me ouvindo por este mundo velho de Deus
Esta letra que traz por título
Trança de china


É coisa triste, gauchada amiga
Quando se deixa um amor para trás
Se dá uma volta pelo pago alheio
Quando se volta não se encontra mais
Eu digo isso é porque aconteceu
Deixei a china dentro do ranchinho
E a malvada se aborreceu
Se foi embora e me deixou sozinho.

Se fosse no verão não era nada.
Mas no inverno qualquer magricela faz falta compadre velho!


Mas ela soube da minha chegada
Voltou no rancho pra pedir perdão
Eu disse a ela você está perdoada
Mas pra viver junto comigo não
Saltei na china, puxei a prateada
E dei um taio que atorou a trança
Mandei fazer umas rédeas trançadas
E é só que eu tenho dela por lembrança.

Mulher falsa em rancho
é mais uma pistola engatilhada contra a gente, amigo!


Eu disse a ela você vai embora
Já que por mim você foi tosada
De meia volta e saia campo a fora
Que china falsa, não me vale nada.
É coisa triste, gauchada amiga
Quando se deixa um amor para trás
Se dá uma volta pelo pago alheio
Quando se volta não se encontra mais

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Lado B - 04 - Escola Do Mundo

Intérprete: Gildo de Freitas

Eu sou um poeta de nascimento
Que a escola não me conheceu
Eu devo sim agradecimento
Pelas lições que o mundo me deu
Eu surgi neste mundo terrestre
Porém não sei como é que surgi
Eu peguei o mundo por mestre
Com ele tudo na vida aprendi

Ai ai ai ai
Eu agradeço essa escola querida
O homem que aprende na escola do mundo
Está preparado pro resto da vida

Eu quando canto pro povo querido
Sinto na alma um prazer profundo
Naquele instante que sou aplaudido
Eu agradeço a escola do mundo
Hoje me sinto no fim da viagem
Cantando e sorrindo recebendo palma
Pedindo a Deus uma santa passagem
E a salvação para minha alma

Ai ai ai ai
Eu agradeço a essa escola querida
O homem que aprende na escola do mundo
Está preparado pro resto da vida

É bem assim meus amigos
Sagrada escola do mundo
Para esta gaita gaiteiro

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Lado B - 05 - Definição Do Grito

Intérprete: Gildo de Freitas

Uma vez num outro estado me pediram informação
Pelo quê que no Rio Grande todo gaúcho é gritão
Bem ali no pé da letra já lhe dei explicação
São tradições do estado pra quem foi acostumado
a gritar com a criação.

Assim mesmo não são todos do falar agritalhado
O gaúcho da cidade tem o falar moderado
Na campanha é que há razões de falar mais alterado
Isto são coisas da vida pra quem se criou na lida sempre
gritando com o gado.

Quem se criou na campanha saltando de madrugada
Obedecendo o patrão e pondo a tropa na estrada
Quem quiser ver coisa feia é uma tropa estourada
É ali que eu acredito que a gente não dando uns grito
se perde toda a boiada.

Dou definição do grito porque me criei tropeando
Hoje de vida mudada vivo no disco gravando
Mas eu tenho a impressão que ouço o gado berrando
Por isso às vezes facilito e sem querer dou-lhe um grito
e gravo a letra gritando.

A resposta da pergunta sempre eu achei mais bonita
Aí pra banda do norte, aonde eu não fiz visita
Responderei pelo disco, sei que este povo acredita
Nesta minha gravação fica dada a explicação
Por que é que o gaúcho grita

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Lado B - 06 - A Vida Do Romão Vieira

Intérprete: Gildo de Freitas

Me chamam Ramão Viera
Me considero um guri
Tenho dezenove anos
E já muito progredi
Meu pai era um capitão
Com nove anos perdi
Por isso o meu sofrimento
Já começou por ali
Lá nas terras missioneiras
Foi o lugar que eu nasci
E ao lado da minha mãe
Quatro anos convivi
A morte também a levou
Me deixando por aqui
E a minha irmã mais velha
Ficou de encarregada
Recebia do governo
E tratava a criançada
E eu meio assim de escapada
Resolvi pegar a ponta
Sai que nem mosca tonta
Num sentimento profundo
E me joguei contra o mundo
Pra viver por minha conta
Passou a ficar mais feio
Quando de casa sai
Dormindo em ranchos alheios
Só eu sei como me vi
As vezes que fui ralhado
Escutei não respondi
Sempre com bons pensamentos
E com bom procedimento
Lutei na vida e venci
E hoje graças a Deus
Estou ganhando dinheiro
E seguindo meus estudos
Para ser bom brasileiro
Eu sou cumpridor da ordem
E gosto, do homem ordeiro
Por bondade e inteligência
Assumi a presidência
De chefe dos motoqueiros
Respeito a mulher casada
E a menina solteira
Eu acompanho o balanço
E gosto da brincadeira
Eu vivo na capital
Mas a minha terra natal
É na divisa da fronteira
E lá pra terra missioneira
Com todo desembaraço
Recebam lá o abraço
Do amigo Ramão Viera


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