Discografia

Gildo De Freitas Mais Sucessos - 1980
Gravadora: Sertanejo/Chantecler - LP 2.11.405.282

Capa

Músicas

Lado A - 01 - Ajudando a Medicina

Intérprete: Gildo de Freitas

Eu sofri muito por causa do cigarro
Eu sofri mesmo dum modo esquisito
A nicotina me engrossou o sangue
Me abafou o peito e me deixou aflito
E que eu ia passar essa prova
A medicina já tinha me dito
Que se eu quisesse durar mais um pouco
Que eu não fosse louco e largasse do pito

Se divulgarem em todos os programas
Está mensagem que o meu verso trás
É muito bom que alerta o povo
Do mal tremendo que o cigarro faz
A sua tosse vai se terminar
E o seu bronco funcionar em paz
E se achar o meu verso bonito
Tome o conselho e abandone o pito
Sossegue o pito e não pite mais

Faz pouco tempo que eu descobri
O mal tremendo que o cigarro faz
E o Brasil precisa de homens fortes
E não de um moço julgado incapaz
E todo velho que não foi fumante
Ele faz tudo o que um moço faz
Eu dormi muito e acordei agora
Joguei com raiva o meu pito fora
Sosseguei o pito e não pito mais

Você ai que está sofrendo
Desta maneira triste como estais
Com este forte aborrecimento
E ainda dando suspiros e ais
Impressionado com o teu cansaço
Viveres muito eu sei que não vais
Porque não tomas um chá de capricho
Porque não joga o cigarro no lixo
Não sossega o pito e não pita mais

Eu venho sim aconselhando o povo
De toda desgraça que o cigarro traz
Quanto mais você emagrece
Mais enriquece as casas funerais
Pelo cigarro que vai se queimando
Tantos penando nos hospitais
E é por isso que eu acho importante
É nois unir e não ser mais fumante
E num grito só não pitamos mais

Vamô parar de pitar moçada e encerra!

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Lado A - 02 - Dizem que o Poeta é Louco

Intérprete: Gildo de Freitas

Dizem que o poeta é louco
De fato eu não sou bem certo
Fui criado sem estudo
E escrevo e não me aperto
Quem escreve verso errado
Trazem pra mim que eu conserto

É isto mesmo moçada o grosso também têm vez!

Eu digo não sei bem certo
Porque não gosto de grito
Até hoje quem gritou
Pensando em fazer bonito
Eu deixei que nem criança
Chorando por pirulito

Manhoso!

Touro e cavalo velhaco
Sempre lidei com cuidado
Todo homem brigador
Com carinha de abusado
Sempre tratei com respeito
Pra também ser respeitado

O respeito impõe respeito!

Nunca gostei de brigar
Mas já briguei obrigado
Porque um homem correndo
Fica desmoralizado
Prefiro morrer com honra
Do que viver desonrado

Há ha...

Sou filho de raça pobre
Sem conhecer o conforto
Confiando e desconfiando
Sou que nem cavalo torto
Pra mudarem o meu sistema
Só sendo depois de morto

E o pau que nasce torto não se endireita rapaziada!

A mulher se amansa à beijo
Estudante eu aconselho
Fazer um pano branco
Pra agarrar um pano vermelho
O burro se amansa à espora
O covarde se espanta à relho

Vamos encerrar sem dar nenhum laçaço mais!

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Lado A - 03 - Rancho Sem Vida

Intérprete: Gildo de Freitas

Meu rancho caíndo na beira da estrada
Tu deve alembrar do que alembro também
Quando eu brincava com a criançada
Meus bons companheiros que eu tanto quis bem.
Ranchinho te alembras as noites de lua
Que eu abraçava o meu violão
Meus bons companheiros também me rodeavam
Escutando verso com toda atenção

Mais obriguei-me sair pelo mundo
Chorando a saudade da separação
Por que a morte arrancou um tesouro
Que eu tinha guardado no meu coração

Depois que eu perdi a minha mãe querida
Não tive na vida sossego pra nada
Vivendo tristonho num triste abandono
Qual um cão sem dono na beira da estrada
Hoje ao passar por aqui recordei
As horas alegres que tornou-se nada
Aqui eu perdi quem eu tanto amei
E a minha alegria ficou sepultada.

Aqui eu perdi o meu querido pai
A minha mãezinha também faleceu
Hoje só resta este rancho caído
E um cantor tristonho que sou eu.

Meu rancho sem vida na beira da estrada
E dentro de ti ninguém mais morou
Não presta pros outros porque não tens teto
Mais o teu afeto contigo ficou
Eu vou reformar-te, fazer-te capela
Pra ele e pra ela que um filho deixaram
E de hoje em diante serás campo santo
Daqueles que tanto meu berço embalaram

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Lado A - 04 - Venha Comigo Mariquinha

Intérprete: Gildo de Freitas

O que que achas hein, Mariquinha?
Ires comigo embora agora comigo?
Tu vives triste assim tão sozinha
Eu tenho um rancho para o nosso abrigo
Eu tenho um rancho para o nosso abrigo
Tu vives triste assim tão sozinha
Ires embora agora comigo?
O que que achas hein, Mariquinha?

Eu enrolando na tua beleza
Se me aceitar em tua companhia
Mandemo embora toda a tristeza
E nois precisamo de ter alegria
Não adianta nóis esta chorando
Não adianta nóis esta sofrendo
Não adianta nóis tá esperando
Adianta só o que eu estou dizendo

Se eu penetra no teu coração
O nosso amor não terá fim
Eu cuidarei da plantação
E você cuida do nosso jardim
O que que achas hein, Mariquinha?
Ires comigo embora agora comigo?
Tu vives triste assim tão sozinha
Eu tenho um rancho para o nosso abrigo

Reconheci que tu tens razão
E tens o rancho para o nosso abrigo
Afirma a rédea do alazão
Dái-me a garupa que me vou contigo

Queremos Deus em nosso caminho
Queremos Deus em nossa companhia
Também queremos pra nós um filhinho
Pra nossa vida bastante alegria

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Lado A - 05 - Quero Estar Perto Dela

Intérprete: Gildo de Freitas e Raimundo Rio Grande

A lua clareia todo o horizonte
As estrelas dão brilho nas ondas do mar
Só os teus olhos são dois diamantes
Que a todo o instante me obriga a te olhar
Entre as flores tu és a mais linda
E se tu fosses feita para mim
Tu serias a rosa bem vinda
Para enfeitar o meu jardim

Horizonte tão grande sem fim
Natureza tão pura e tão bela
Traga ela para junto de mim
Ou me leve para juntinho dela
Horizonte tão grande sem fim
Natureza tão pura e tão bela
Traga ela para junto de mim
Ou me leve para juntinho dela

Nossas vidas pertencem a deus
Só a ti este meu coração
Pela luz destes olhos teus
Eu criei está louca paixão
Bem feliz com você eu seria
Agradeceria a mãe natureza
Por me dar à oportunidade
Da felicidade com a tua beleza

Horizonte tão grande sem fim
Natureza tão pura e tão bela
Traga ela para junto de mim
Ou me leve para juntinho dela
Horizonte tão grande sem fim
Natureza tão pura e tão bela
Traga ela para junto de mim
Ou me leve para juntinho dela



Lado B - 01 - Meu Princípio

Intérprete: Gildo de Freitas

Vou contar o meu principio
Não vão pensar que é moleza
Sempre vivi abraçado
Com a miséria da pobreza
Truxe o dom de ser poeta
Para mais tarde ter defeito
Já passei muito trabalho
Vivendo assim que nem galhos
Por conta da correnteza

Meu serviço mais leviano
Foi prender bois em carretas
Machado em corte de lenha
De pá abrindo valeta
Abrindo corte de estrada
No cabo da picareta
Fui homem sacrificado
Que nem braço de alejado
Esfolado da muleta

Cantava só nos domingos
Não era sim como canto
Eu também nem esperava
Que um dia cantasse tanto
Me chamavam de endiabrado
E se eu era não garanto
Pobre, bravo e sem juízo
E os bolsos sempre lisos
Que nem rostinho de santo

E com o baralho na mão
Eu não era muito tenso
Com meu baralho marcado
Descobriu e dava o ranço
Ali começava a briga
Minha vida era um balanço

Fui ligeiro que nem gato
Eu era o tipo do pato
Que às vezes passava por ganso

Depois de quarenta anos
Foi que veio a melhora
Fui gravar, fiquei artista
Vivo mais folgado agora
Tenho carro, tenho casa
Mas descanso poucas horas
Eu sou que nem botão de roupa
Que têm casa mas não mora
Sou que nem cinta em fivela
Que entra por dentro dela
E se vai para o lado de fora


Nesse pedaço de chão
Eu fui muito sacrificado
Eu as vez sinto cansera
Só no lembrar o meu passado
Hoje a vida ta mais frouxa
Que nem palanque em banhado
Pelos filhos eu nem garanto
Porque eu trabalhei tanto
Que eles nasceram cansados

Háháha, é isso mesmo vamô encerra!

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Lado B - 02 - Sonhei que Fui ao Céu

Intérprete: Gildo de Freitas

Esta noite eu tive um sonho
Que no paraíso entrei
Eu vou contar pra vocês
Tudo o que lá encontrei
Quem morreu há muito tempo
No paraíso eu achei
Que sonho lindo e gostoso
Eu vi o Ignácio Cardoso
Com uma coroa de Rei
Perguntei o que era aquilo
O xirú me respondeu
Lá na terra eu trovei muito
Nunca ninguém me venceu
E Deus escutava as trovas
E tudo o que aconteceu
Gosto do meu improviso
Me trouxe pro paraíso
E essa coroa me deu

Eu vou indo pra uma festa
Por isso então te pergunto
Se tu queres ver de novo
A alma de algum defunto
Que cantavam lá na terra
Cantam aqui no meu conjunto
Aqui ninguém é tristonho
Já que vieste aqui no sonho
Te prepara e vamô junto
Dali fumos caminhando
Entramos em um salão
Vi Jesus Cristo sentado
Recebi sua benção
Era um palco só de ouro
E ali foi dada a função
Num gesto muito amoroso
Foi começando o Cardoso
A sua apresentação

E o Darci Reis Nunes junto
Fazendo a apresentação
Falando assim deste jeito
Um momento de atenção
Vamos receber com palmas
Zé Mendes e o violão
E recebendo estas palmas
Leva alegria pras almas
Cantando a integração
Até o garoto de ouro
Que fazia uma semana
Que tinha chegado lá
Com uma roupa mexicana
Cantou versos pra platéias
Acharam muito bacana
Como é lindo o outro mundo
E entrou Pedro Raimundo
Cantando Adeus Mariana

Têm sonho que dá prazer
E outro sonho desgosta
Falou o Darci Reis Nunes
Vou fazer uma proposta
Pra nois ouvir uma trova
Sei que a Santidade gosta
Foi outra salva de palmas
Trovaram então duas almas
O Cardoso e o Paulo Costa
Que sonho bonito meu
Juro por deus que gostei
Toda a saudade que eu tinha
Naquele sonho eu matei
Queriam até que eu ficasse
E com eles concordei
Porque gostei do programa
E nisso cai da cama
E na mesma hora acordei

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Lado B - 03 - Ignorância e Cultura

Intérprete: Gildo de Freitas

O meu Brasil é rico de estudo,mas já foi pobre pela minha infância
Aquele tempo só apreciavam os que apelavam para a ignorância.
Eu roí junto esse mesmo osso, falo e não nego que eu sou muito franco
Até as moças escolhia o moço que brigasse a bala ou a ferro branco

Era rapaziada, e o índio tinha que abrir talho de caber quarenta rapadura dentro
pra ficar simpático pras raparigas


Ganhando a briga ficava famoso e de importância pra uma rapariga
Morria velho, solteiro e nervoso se fosse medroso pra entrar na briga.
Naquele tempo era lei do meu pago como um ordeiro eu obedecia
Não tinha instinto de matar ninguém, mas batia bem quando aparecia

Há,Há é, e se não batesse eles batiam ué

Num certo baile tocavam sanfona e eu dedilhava no meu violão
Pisquei o olho pra uma certa dona e ali no mais deu-se a confusão
O dono dela andava por ali e a muito tempo vinha desconfiado
Me gritou logo a branca vai pra ti e já me trouxe meio atropelado

Tivemo sorte que puxemo junto a nossas adaga velha da cintura,
Apartaro a briga, os nossos bons amigo, mais eu levei comigo aquela criatura


Eu até hoje para um tiro alvo eu me garanto no cabo do bérro
Jogando as vida saio são e salvo, puxo o pinguel e já sei que não erro
Porém eu peço pra Deus me ajudar pra eu não puxar nunca do gatilho
Pra não dar luto a uma mãe querida que eu tirasse a vida do seu rico filho

A valentia é um orgulho, vamo encerrá na paz de Deus, rapaziada

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Lado B - 04 - Conversando com a Viola

Intérprete: Gildo de Freitas

Ontem a viola viu minha aliança
E me perguntou com todo respeito
Qual a aventura que tu vais fazer
Que estás tão alegre assim desse jeito
Viola querida eu vou me casar
Respondi pra ele muito satisfeito
E ele perguntou se caberia outro amor
Além da viola encostada em meu peito.

Tem gente que acha que a letra é mentira
Por eu conversar com o meu instrumento
O meu pensamento falou com a viola
E a viola falou com o meu pensamento.
Por que ela e a lua são duas amigas
Que acompanham a todo momento
Não era bem justo que eu não respondesse
Todas as perguntas do meu casamento.

Viola querida tu és a culpada
De eu ter conquistado esta linda donzela
Quando em serenata num triste lamento
Nos os dois juntinhos cantava pra ela.
Ali foi crescendo este nosso amor
E hoje nos leva a casar na capela
E por tua causa eu não posso deixar
De compreender os carinhos dela.

Agora que sabes que vou me casar
Devias tocar inda mais contente
Tu és de madeira e eu sou humano
Estou compreendendo a dor que tu sentes.
Eu vou construir um rancho bem grande
Para nos os três viver eternamente
Por que pra viola, mulher e luar
Sempre tem lugar nos braços da gente

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Lado B - 05 - A Cachaça

Intérprete: Gildo de Freitas

Vou falar sobre a bebida
por que me veio na mente
eu vou expandir em verso
o que a minha alma sente
aconselhando esses moço
que ainda são inocentes
nem sabem que essa malvada
tem matado tanta gente

meninos vós a repare
quando encontrarem um vivente
com o rosto e os pés inchados
esse nem paladar sente
no inverno bebe em trago
esperando que esquente
no verão pra refrescar
por que o dia é muito quente

a cachaça deve ter
mil virtudes diferentes
faz alegre ficar triste
faz triste ficar contente
faz de um valente um covarde
faz de um covarde um valente
faz um rio todo chorar
faz um são ficar doente

depois que a cachaça toma conta de um pobre vivente
tira logo o apetite
deixa o corpo diferente
começa a ficar estranho
até dos próprios parentes
o sangue se vira em agua
e morre desgraçadamente
eu bebi,fiquei sabendo

desta bebida o efeito
pra quem nao bebe,não fuma
a vida tem mais proveito
sem jogo,morte,sem roubo
é um homem sem defeito
e se aceitar o meu conselho
Deus ficara satisfeito
Deus abençoe

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Lado B - 06 - Proteção às Mães

Intérprete: Gildo de Freitas

Oh, Virgem Santa que do alto nos contempla
Abençoai todas as mães do universo
E eu te imploro que com tuas mãos tão benta
Abençoai a humildade dos meus versos


Santa Maria virgem pura e escolhida
Pra ser a mãe de Jesus meu salvador
Abençoai o nosso tesouro da vida
Que é a nossa mãe o nosso mais sublime amor

Santa Maria o teu ventre abençoado
Merece mesmo nossa consideração
Por ter trazido para o mundo do pecado
Teu filho amado para nossa salvação

Acompanhaste do teu filho o sofrimento
E por ser mãe sofria junto também
E nós estamos passando triste momento
Só ele pode nos salvar lá do além

Sofre demais uma mãe pelo seu filho
E o pobre filho que também sofre por ela
Nesta canção eu lhe peço um grande auxilio
A proteção pra nossa mãe tão pura e bela

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