Discografia

Gildo de Freitas "Dupla Alegria Dos Pampas" Zézinho E Julieta - 1970
Gravadora: Caboclo/Continental - CLP-9085

Capa

Músicas

Lado A - 01 - Filho Sem coração

Intérprete: Gildo de Freitas

Sobre a beira de uma estrada eu me encontrei com um velhinho
Que ao me ver churrasqueando me pediu um pedacinho
E me contou coitado todo, todo o seu passado
que teve no seu caminho


Senhor eu sou um homem velho, mas sou um velho de brio
Eu nunca fui vagabundo eu vivo assim pelo mundo
tristonho sem ter auxilio, mas fui homem que trabalhei
E gastei tudo o que ganhei para dar estudo ao meu filho
Foi pena que esse meu filho depois de moço formado
Casou-se com uma moça filha de um rico afamado
E ela me escorraçou e o meu filho concordou
Por isso eu vivo atirado assim faço meus trabalhos
Já velho sem agasalho e eles num bom sobrado
Minha mulher de paixão já está embaixo do chão
Não vive mais a meu lado e ainda por judiação
Me correm do seu portão esquecendo o seu passado)

Manda os criados me correrem do portão
E o meu filho nem sequer na porta sai
Agrada o sogro que é o pai da mulher dele
Por causa dela esqueceu que eu sou seu pai
E nem sequer reconhece o sacrifício
Que eu fiz na vida pra manter o seu estudo
Não guardei nada para manter a velhice
Porque eu com ele o que eu tinha eu gastei tudo

Hoje velhinho enfraquecido desse jeito
E solitário no mundo sofrendo assim
Maldito estudo que eu lhe dei sem ter proveito
Ser pai de filho e não ter ninguém por mim
Quando eu tombar no meu derradeiro sono
Faça uma cova e uma cruz de pau do mato
E um letreiro: Morre um pai no abandono
Por dar estudo a um filho tão ingrato

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Lado A - 02 - Sombra Da Céstia

Intérprete: Gildo de Freitas e Ignácio Cardoso

Figueira sombra da cestia
Com certeza estais lembrar
Quando eu com minha amada
Nois passava as tardes inteiras
Ela ria de faceira
Trocamos beijos e carinhos
Que nem casal de pombinhos
Na tua sombra figueira

Me lembro da tua sombra
Eu tive momentos felizes
Mas hoje o destino quis
Que eu pegasse outro caminho
Te lembra quantos carinhos
Ela fazia pra mim
Tudo aquilo teve um fim
Por isso eu voltei sozinho

Por incrível que pareça
Minha querida figueira
Me roubaram a companheira
Eu nem sei que fim levou
Te conto o que se passou
Não que eu seja covarde
Quero chorar esta tarde
Nesta sombra que restou

Não me censures figueira
Pela loucura que faço
Eu venho neste cansaço
Não posso ser mais feliz
Os teus galhos seu Juiz
Deste meu grande fracasso
Por eu não ter nos meus braço
A mulher que eu tato quis

Figueira eu junto de ti
De tudo eu serei capaz
Não quero ver nunca mais
Essa falsa criatura
Para cumprir minhas juras
Eu trouxe esta cavadeira
Na tua sombra figueira
Quero a minha sepultura

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Lado A - 03 - Cantando Em Outro Estado

Intérprete: Gildo de Freitas e Ignácio Cardoso

Eu peguei um dia a sanfona e me apartei do rebanho
Eu deixei minha própria zona e fui cantar em pagos estranhos
E lá em Santa Catarina Foi onde eu cantei primeiro
Paraná fiz a rotina, São Paulo e Rio de Janeiro

E lá no Rio de Janeiro foi o mais tristonho pra mim
Pra bem de voltar solteiro tive que cantar assim
Oh linda carioquinha fique no Rio de Janeiro
Adeus, Adeus moreninha eu voltarei bem ligeiro

Em São Paulo a mesma cosa, dei prova de repentismo
Quase arranjei uma esposa no território paulista
Umas paulistas tão belas se agradaram de mim
Quando eu me despedi delas ficaram cantando assim

Gauchinho, Gauchinho nem que eu corra algum perigo
Eu quero ir Gauchinho pro Rio Grande contigo


E assim saudado a todos me despedi da menina
E voltei pra o meu Rio Grande pra os braços da minha china

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Lado A - 04 - História Dos Passarinhos

Intérprete: Gildo de Freitas e Palmeira

Eu destinei um passeio
Domingo muito cedinho
Peguei o meu violão
E fui pro mato sozinho
Descobri uma figueira
Com os galhos cheios de ninhos
E passei a manhã inteira
Em baixo dessa figueira apreciando os passarinhos

Como eu tava achando lindo
O viver dos passarinhos
Se via perfeitamente
Vir com a fruta no biquinho
Se via quando eles davam no bico do filhotinho
E eu ali estava entertido
Com o viver tão divertido da vida desses bichinhos

Depois veio o negro velho e também trazia um negrinho
E este tinha uma gaiola e dentro dela um bichinho
Perguntei que bicho é este
Diz ele esse é um canarinho
Com este bicho que está aqui
Nas florestas por aí eu caço qualquer passarinho

Cantava que redobrava
Aquele pobre bichinho
Parece até que dizia: É triste eu viver sozinho...
Só porque eu fui procurar comida pros filhotinhos...
E fui tirar desse alçapão...
Hoje eu estou nessa prisão e nunca mais fui no meu ninho

Aí eu fui recordando o que já me aconteceu
A muitos anos atrás que a polícia me prendeu
O juíz me condeno e depois de mim se esqueceu
E eu pelo rádio escutava quando os colegas cantava e aquilo me comoveu
Então eu fui perguntando quanto quer pelo bichinho
Respondeu ele eu não vendo
Eu cacei pra o meu filhinho
Porém saiu uma voz da boca do gurizinho
E a gaiola custo 10 quem me der 20 mil réis pode levar o passarinho

Comprei com gaiola e tudo para evitar discusão
E fui abrindo a portinha
E abrindo meu coração
E o bichinho foi saindo
E eu peguei meu violão
E num versinho eu fui dizendo
O que tu estava sofrendo eu já sofri na prisão
Quem vai caçar de gaiola
Pra ver os bichos na grade
Deveria ser punidos pelas mesma autoridade
Porque o coração dos bichos
Também conserva amizade
O lei tu faça o que puder
Mas os bichos também quer ter a mesma liberdade

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Lado A - 05 - Acordeona

Intérprete: Gildo de Freitas e Milton José

De madrugada quando dia vem raiando
Eu to tomando no meu rancho chimarrão
E pra tristeza não ser muita no ranchinho

A acordeona faz carinho e alegra meu coração
Ah acordeona tu te recorda da tua dona
Ah acordeona tu te recorda da tua dona


Quando enxergo teu retrato na parede
Eu fico doido perco a sede me deito não tenho sono
Minha acordeona reconhece a pobrezinha
Que a gaúcha que era minha ta na mão do outro dono

Ah acordeona tu te recorda da tua dona
Ah acordeona tu te recorda da tua dona


Minha acordeona quando toca sempre diz
Que ao infeliz também chegará seu dia
Se acordeona disser isso com certeza
Leve a tristeza e depois traga a alegria

Ah acordeona tu te recorda da tua dona
Ah acordeona tu te recorda da tua dona


Eu já te amei como os anjos amavam a lira
Eu já te adorei como anjos adoram a Deus
Mas não enxergo em teu olhar esperança
Até nem quero ser feliz nos braços teus

Ah acordeona da um desprezo na tua dona
Ah acordeona da um desprezo na tua dona

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Lado B - 01 - Vida De Tropeiro

Intérprete: Gildo de Freitas e Zezinho

Eu vou contar pra vocês ó minha gente
A vida triste que leva o nosso campeiro
Quando o patrão faz negócio na charqueada
Não vai levar a boaiada dando ordem aos seus tropeiros

Lailairarooo, lailairarooo,
E o velho cusco que é o seu fiel companheiro

Chegando a tarde já fica a tropa encerrada
De madrugada canta o galo no galpão
Anunciando para o tropeiros
Que tome um mate ligeiro
Pra cumprir com a obrigação

Lailairarooo, lailairarooo,
E vai tropeiro cantando esta canção

Toma um amargo e põe o cavalo na encilha
E o laço na visilha e solta a tropa na estrada
E lá vão eles por este mundão aberto
Sem saber o lugar certo para fazer a pousada

Lailairarooo, lailairarooo,
E vai tropeiro contando a sua boiada

Quando vão bem feliz a sua jornada
Cantando esta toada para aquecer a tal das vezes
Lailairarooo, lailairarooo,
E assim repete esta canção por várias vezes

Lailairarooo, lailairarooo,
São tradições do nosso querido estado
Lailairarooo, lailairarooo,
E esta cantiga tira a brabeza do gado

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Lado B - 02 - Morena Arrependida

Intérprete: Gildo de Freitas e Zezinho

Morena está canção
Eu fiz por ter querer
Agora chegou o tempo
Que eu posso te dizer
Só para contar a paixão
Que você deve saber

Eu era apaixonado
Por teu falso amor
Tu eras do meu jardim
Pra mim uma linda flor
E assim mesmo desprezava
Este pobre trovador

Um dia eu resolvi
De vir morar na cidade
Arrumei um outro amor
E veio a felicidade
Hoje eu sei que tu choras
Sofrendo grande saudade

Este teu falso carinho
Morena para mim morreu
E tudo que me fizeste
Agora te arrependeu
Hoje eu sei tu me quer
Mas quem não te quer sou eu

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Lado B - 03 - Cachorro Abandonado

Intérprete: Gildo de Freitas e Zezinho

Numa manhã de setembro quando despertava o dia
Da frente do rancho vinha um lamentar dum latido
Levantei surpreendido pra reconhecer o dito
Sob os galhos sentadito tava um cusquinho encolhido

E assim eu compreendi o gest do cachorrinho
Levei lá pra minha casa muito magro o coitadinho
Hoje dorme, bebe e come, tá gordo, não passa fome
E goza até de algum carinho


Fui passando a mão no pelo daquele preto coleira
Que ainda não conhecera carinho, contato, abrigo
Conhecedor do perigo, portador da sorte ingrata
Virando pra cima as patas tentava falar comigo

Aconselho meus amigos quando encontrares um cão
Magro, triste, pela rua, na mesma situação
Faça assim conforme eu digo faça dum cão um ammigo
E dê-lhe alimentação


Eu que já sou calejado me abalei naquele dia
Por que o coitado pedia compreensão e guarida
Levando água, comida, restos que pudesse ter
Não podia compreender porque sofria na vida

Porque Deus sempre enxergou todo bem que a gente faz
É alívio pra quem sofre depois que não sofre mais
E o meu coração suspira, Viva senhora Palmira
Protetora dos animais


Lamentando o sofrimento peguei o cusco chorando
Que foi me lambendo a mão como reconhecimento
Com este novo tratamento um novo trocando pé
Hoje o guaipeca até conhece o meu pensamento

Para os desabrigados sempre a gente alcança um forro
Um cão avança num tigre pra dar ao homem o socorro
E por isto eu sempre digo mais vale um cachorro amigo
Do que um amigo cachorro


Por isso eu faço um pedido, meu amigo, meu irmão,
Quando encontrares um cão não lhe bata porque sente
Trateo carinhosamente, não lhe faça gest brusco
Porque a amizade de um cusco não se encontra em muita gente

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Lado B - 04 - Matando A Saudade

Intérprete: Gildo de Freitas e Zezinho

Eu deixei minha querência quando era novo de idade
Mas apertou a saudade hoje me traz de regresso
Viajando pelo mundo e agora volto de novo
E para alegrar o meu povo eu escrevi estes versos

Venho matar a saudade dos pais, irmãos e padrinhos
E também dos meus vizinhos que a saudade me devora
Sei que vocês também sofrem por tem me arretirado
Para meu torrão amado eu estou chegando agora

Trago em minha companhia sempre esta mesma doma
E uma velha acordeona para fazer serenata
Quero rever as carreiras e as festanças de domingo
E desaguaxar meu pingo pra ficar leve de pata

Quero fazer uma visita no rancho dos meus amigos
Que trabalharam comigo no meu tempo de infância
Eu ganho bem mas não gosto desta vida
Prefiro voltar pra lida e trabalhar na mesma estância

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Lado B - 05 - Amor Correspondido

Intérprete: Zezinho e Darci Reis Nunes

Eu gostei de você gauchinha
Eu gostei do gaúcho também
Porém quero que sejas só minha
Serei tua e de mais ninguém

Pois da resposta eu estou me agradando
Se você sustentar o que diz
Bem assim eu estava pensando
Tendo calma que o rancho eu já fiz

Se disseres pra mim com certeza
Que é só meu e de mais ninguém
Eu me entrego por tuas proezas
Viverei só pra você também

Me entreguei pra você gauchinha
E eu também pra você gauchinho
Foi como prova que pode ser minha
Vamos agora lá pra o teu ranchinho

Pois dê a mão, salte aqui na garupa
Vamos embora lá pra minha terra
Galopando chegamos num upa
E o nosso rancho é na beira da serra

Vou embora contigo é pra já
Lá pra serra pra onde tu vai
E eu prometo em seguida voltar
E contar a história aos teus pais

Nós os dois naquele ranchinho
Vai haver alegria entre nós
Viveremos cantando juntinho
Em primeira e segunda de voz

Nós os dois naquele ranchinho
Vai haver alegria entre nós
Viveremos cantando juntinho
Em primeira e segunda de voz

Larará lará lará laram laram lará lará

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