História do CTG Gildo de Freitas

Um relato de Vera Menna Barreto, fundadora do CTG

O início

Durante o mês de setembro do ano de 1982, trabalhando com os alunos da 3ª série da Escola São Paulo, situada na Vila Gleba, eu Vera Lúcia, professora das crianças, apresentava fatos da minha caminhada no meio tradicionalista, explicando assim, a importância da Semana Farroupilha para nós gaúchos e o que era um tradicionalista. Recebemos então a visita do diretor da escola, senhor Irineu Morandi, que vendo as fotos sugeriu que eu preparasse um grupo para fazer uma apresentação de danças gaúchas na escola.

Pensando sobre isto, reuni um grupo de alunos interessados e começamos a ensaiar no turno inverso das aulas e nos finais de semana com todas as crianças. As férias chegaram então fiquei amadurecendo a ideia de como ampliar o grupo, conseguir indumentária apropriada e conseguir a adesão de mais participantes. Conversei com meu pai, Witerbo e este se propôs a me ajudar, assim que voltassem as aulas, conversando e explicando a importância deste grupo para a escola.

E assim no inicio do ano, reuni as crianças do ano anterior e fiz um chamamento nas demais turmas, conseguindo assim 10 pares. Marcamos uma reunião em um sábado pela manha juntamente com meu pai e minha mãe, a direção da escola e os pais destas crianças. Eu e as crianças ficamos juntos, apresentei meus pais e começamos então a explicar o que seria o nosso grupo e como seria importante a participação e apoio de todos para nosso grupo ensaiar e tudo que fosse necessário para sua formação.

Quando meu pai iniciou sua fala, com toda a empolgação que tinha, palestrando sobre o que era um CTG e sua importância, houve uma participação e interesse geral dos pais. Alguns já tinham experiências na cultura gaúcha. Resumindo a história, em menos de uma hora, estava nascendo o nosso CTG. Meu pai foi eleito patrão e já foi formada toda a Patronagem e inicio do Conselho.

Meu pai sugeriu o nome do CTG em homenagem ao grande Trovador, e nesta data então, 26 de março de 1983, estava sendo fundado o grandioso CTG Gildo de Freitas. Senhor Witerbo Menna Barreto, juntamente com sua esposa Teresinha Menna Barreto criaram o lema - “Gaúcho de coração, sempre honrando a tradição” - e a bandeira do CTG.

bandeira CTG Gildo de Freitas

No seu primeiro ano, o CTG já possuía invernada mirim com 10 pares, e várias crianças iniciando sua participação.

O grupo de projeção folclórica “GRUPO DE ARTE NATIVA CÉU E CAMPO”, onde a professora Iara Costa era coordenadora, passou a representar a entidade como invernada adulta e também ajudando a formar outros componentes, iniciando no final de 1983 a invernada juvenil.

Realizamos também concurso de prendas, onde nossa representante mirim, Simone Lopes, foi eleita 1ª Prenda Mirim da 1ª Região Tradicionalista.

O terreno do CTG foi conseguido pelo grupo que estava na época, meu pai era o patrão e contamos com o apoio do meu tio João Menna Barreto e do Sr. Belo, que também foi patrão desta casa. Também conseguimos um carregamento de costaneiras para iniciar o galpão.

bandeira CTG Gildo de Freitas

1996 - Rodeio Internacional da Vacaria

O Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria é um evento esportivo e cultural que acontece na cidade brasileira de Vacaria, no estado do Rio Grande do Sul. É considerado a maior festa tradicionalista da América Latina. Realiza-se de dois em dois anos, sempre nos anos pares, entre o final do mês de janeiro e o início do mês de fevereiro, no Parque Nicanor Kramer da Luz, que tem 75 hectares de área total. É conhecido entre os laçadores como "Copa do Mundo do Laço", pois todo bom laçador que se preze, sonha em conquistar um troféu na cancha da ferradura. O Rodeio fica a cargo do CTG Porteira do Rio Grande e tem como premiação, entre outros, uma caminhonete 0km, um carro 0km e um reboque duplo, no laço Duplas; um carro 0km, uma moto 0km e dinheiro na gineteada. As demais categorias também possuem uma premiação muito boa.

Em 1996, o CTG Gildo de Freitas foi a entidade campeã da competição, acumulando a maior pontuação oriunda das vitórias em cada uma das modalidade do festival. Esse título rendeu um Uno Mille 0km para a entidade.

2008 - Enart / Encontro de Arte e Tradição

O Enart, Encontro de Arte e Tradição, é o maior festival de arte amadora da América Latina segundo a UNESCO. É um evento tradicionalista gaúcho. Promovido pelo MTG, Movimento Tradicionaista Gaúcho, é realizado anualmente em três etapas. As regionais, as inter-regionais, e a final. Envolve competidores de todo o Estado, e espectadores de todo o país. Estima-se haver mais de dois mil concorrentes por ano, e mais de 60 mil espectadores na fase final. É de extrema importância para o Rio Grande do Sul, pois é o maior evento tradicionalista do mundo segundo a UNESCO. A Transmissão do evento via Internet atinge mais de 30 países pelo mundo, onde proporciona a gaúchos de todas as querências prestigiarem este grande evento.

Em 2008, o CTG Gildo de Freitas, gloriosamente, conquista o tão sonhado título da competição, após ser ovacionado por mais de 15 mil expectadores.

A Participação de Roberto Bardemaker, atual 1º Capataz

O nosso começo no CTG Gildo de Freitas, nossa segunda casa, com um convite para participar de um chá em comemoração ao dia das mães promovido pela escolinha do CTG na qual a coordenadora era dona Adelaide, um convite de nossos vizinhos e amigos Padilha e Gema , isso era em meados de maio de 1999, neste dia tivemos a satisfação de conhecer o tio Vasques que na sua fala na hora do evento fez um convite aos casais participantes do evento que gostariam de se juntarem ao grupo xirú para fazer parte de sua invernada de danças, ai nossos amigos Padilha e gema nos indicaram a fazer parte, no qual mostramos interesse, meu cunhado Gilberto e minha irmã Rose também aceitaram o convite, nós estamos desde então, participando da invernada e ajudando a manter o nosso Gildo de portas abertas, nossos filhos que desde então também fazem parte, começando na escolinha e ai por diante.

Neste tema de portas abertas, passamos por um grandes apertos, primeiro o afastamento do patão Nei pelo Conselho de Vaqueanos na época, por má administração dos recursos do CTG, dois meses da nossa participação no CTG, nosso galpão foi lacrado, por motivo de uma denúncia de uma vizinha, por perturbação de som alto, processo que já tramitava na justiça a algum tempo. Começamos daí uma grande luta para reabrir o mesmo, reuniu-se então na escola luterana São Paulo, no qual os grupos já aviam começado a ensaiar com a liberação e ajuda da direção da escola que sempre nos foi solidaria.

Na época foi montada uma comissão a qual o tio Sérgio tomou frente como patrão, mais o tio Nilton, tio Toninho, tio Mario, tio Padilha, tio Vasques, daí começamos a fazer parte também deste grupo que procura manter este CTG de portas abertas.

Como nossas invernadas eram grandes e sempre participava de vários rodeios no ano e o espaço no colégio às vezes ficava apertado para os ensaios, tínhamos que procurar outros espaços para ensaiar, graças a solidariedades das entidades na volta de nosso bairro, ensaiamos também no clube de mães da Nova Gleba, CIEM, associação Fátima, ACOPAM, GTG Estancia Farroupilha, CTG João de Barro, CTG Coxilha Aberta, clube Lindóia, foram diversos locais cedidos para nossas invernadas ensaiar e fazer seus eventos.

E a luta para reabrir nosso galpão não parava, com uma grande ajuda e empenho da dra. Irma (in memória) que não mediu esforços para reabrir nosso galpão, também o seu irmão o seu Ricardo.

Já sabíamos que teríamos, que fazer a acústica de nosso galpão para poder reabrir o mesmo, no qual começamos a depositar dentro do mesmo, doações de lã de vidro para duplar as paredes de madeira, portas e janelas, foi um processo de acústica bem trabalhoso, com a nossa própria mão de obra começamos este trabalho, no qual voltávamos para casa em pura coceira por manuseio da mesma, e com o galpão fechado e muito cupim acumulado e bastante poeira, pois tínhamos que trabalhar com o mesmo fechado. Depois de quase cinco anos e muito trabalho e empenho, conseguimos reabrir nosso galpão, e também para mim o mais importante é que nunca deixamos nossas invernadas e integrantes do nosso CTG, desistissem de levar o nome de nosso CTG por todos os rodeios de nosso Rio Grande.

Participando do grupo xirú, no ano de 2001 eu e a Vera fomos eleitos pela primeira vez coordenadores da invernada xirú, e depois por outras vezes novamente, neste tempo já fomos guaiaca do CTG e em 2007 tivemos a satisfação de ser patão desta entidade, com uma equipe dedicada, tio Sérgio de guaiaca, o Paulinho secretário, encerramos nossa patronagem com as contas aprovadas e a contabilidade em dia.

Na invernada xirú a qual desde então eu e a minha prenda fazemos parte, depois de ensaiarmos por fora por quase um ano, já que não sabíamos dançar, depois tivemos a satisfação de dançar com grandes bailarinos e amigos e o Nivaldo como nosso professor, participando de vários rodeios do qual temos as recordações na nossa sala xirú, com vários troféus e por duas vezes em 2006 e 2008 com nosso grande amigo e professor Miltinho tivemos o privilégio de sagrarmos bicampeões estaduais na cidade de Santa Maria no CPF Piá do Sul.

Nesta caminhada já temos bastante histórias para contar, além de inúmeros rodeios e festivais, participação de congressos tradicionalistas, com os grandes amigos tio Vasques, Nivaldo, Miltinho, tio Sérgio, Rodrigo.

Tínhamos um sonho de danças na vacaria, o nosso grande amigo e professor Nivaldo deu a partida, em 2014 estávamos lá.

Nosso grupo xirú neste tempo que a gente faz parte, já passou por várias etapas e novos integrantes, mas tem uma turma ali que realmente pode se dizer, estes são xirús, neste meio tempo nossa xiruzada devido a uma determinação do MTG em ter mais uma categoria, fundou também a invernada veterana do Gildo, que hoje segue sua trajetória vitoriosa: é campeão estadual e de vários outros rodeios, seguindo os passos dos velhos xirús, que continuam sua trajetória neste galpão.

Estas são algumas passagens da nossa trajetória, lá sê vai alguns anos, as lembranças são muitas as histórias mais ainda, o que posso dizer é que estarei sempre disposto a ajudar o nosso Gildo véio a permanecer de portas abertas.